Entrevista com Pedro Barbosa, autor do livro "Harvard Trends 2013"

Docente universitário aponta alguns dos principais desafios atuais que as empresas têm de enfrentar ao nível da gestão e do marketing

O SIM é um espaço online de perspetivas, partilhas, entrevistas e informações inspiradoras

Este é um blogue da LivingBetweenMedia e move-nos a vontade de ver as coisas por um ângulo diferente!

Somos aquilo que lemos? É possível ganhar novas competências na leitura?

Saber escolher as fontes e interpretá-las corretamente é uma competência fundamental numa sociedade onde a informação é aparentemente excedentária

As redes sociais são um desafio para as empresas

Aprender a gerir a presença nas redes sociais é fundamental. A potência viral destas redes funciona para o bem e para o mal

Educar para os media é abrir o olho para o mundo real

No mundo global, um cidadão que saiba interpretar o papel dos media é mais competente em qualquer profissão. A LivingBetweenMedia partilha essa visão

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

As televisões ainda valem votos?

A entrevista estava a decorrer há uns bons 20 minutos quando, por algum motivo que a memória não me permite lembrar, desvio o olhar para o chão profundo. O entrevistado – um dinossauro autárquico - estava sentado na sua poltrona, com os braços em cima da grande secretária, e os pés estavam fora dos sapatos. Mais do que isso, as peúgas pretas tinham uma pequena marca clara junto dos dedos, uma pista a anunciar que, dentro em breve, um espaço em branco surgiria. Só um homem muito seguro de si está frente a frente a um jornalista sem os sapatos calçados. 

Olho discretamente para o repórter fotográfico, que rapidamente se apercebeu da bizarra situação. Esboçámos um discreto sorriso e continuámos o nosso trabalho. Não faria sentido fotografar aquilo. Mesmo que de um dinossauro político se tratasse. 

Pouco tempo antes, numa entrevista a outro autarca, por sinal geograficamente próximo do das peúgas quase rotas, mas não tão dinossauro, deparei-me com uma situação também caricata. O assessor do presidente da Câmara, que fez questão que eu me sentasse na cadeira X, esteve permanentemente atrás de mim enquanto o seu líder respondia. O interessante, é que tinha nas mãos uma série de folhas brancas e um marcador azul. Muito útil: sempre que era colocada alguma questão, o assessor escrevia palavras chave para que o edil falhasse o menos possível nas respostas. 

Não terão passado mais de 10 anos quando isto aconteceu. Mas hoje, arrisco em dizer que é praticamente impossível o cenário repetir-se. O marketing político, as empresas de assessoria mediática e os profissionais de media training entraram em força na arena política nacional. 

Nos dias que correm, estes autarcas que, claro está, ainda estão no poder, provavelmente iriam preferir responder por email. Caso se insistisse na entrevista presencial, a equipa de assessores iria pedir o envio prévio das perguntas. Para evitar erros de comunicação. Dizem eles. Agora, depois de vários treinos, estão mais aptos a falar com os jornalistas. 

Reza a história que um presidente associativo empresarial, ainda em exercício de funções, quando ganhou as eleições, e um batalhão de repórteres de imagem se dirigia a si para registar o momento, atirou as mãos à face e quis “esconder-se”. A sua ligação com os jornalistas ainda não estaria suficientemente “treinada”. 

Mas ao nível politicamente superior, os episódios bizarros também acontecem. Um ministro, que já não está em exercício de funções, antes de uma conferência de imprensa, onde já sabia que teria de enfrentar os jornalistas, atirou-se para trás de um sofá em jeito de fuga a um primeiro contacto com os repórteres. 

Coisas do passado. 

E se já há muito se instalou a ideia de que os media, principalmente as televisões, fazem ganhar ou perder eleições, e que as aparições televisivas, seja no formato informativo ou opinativo, são um verdadeiro trampolim para o estrelato, o media training começou a estar a atento a esta realidade. Principalmente na sequência do boom de aberturas de canais informativos 24 horas por dia. 

Seja nos estúdios televisivos ou em situações de exterior, nas quais as televisões estão presentes, está claro que vamos ver um discurso muito bem ensaiado, o olhar com a intensidade certa, os gestos devidos e o nó da gravata na posição precisa. 

Com as televisões, e por causa delas, há telepontos invisíveis que ajudam a disfarçar a leitura, há crianças que recebem computadores portáteis numa cerimónia do Governo mas que depois de as televisões irem embora, os computadores são-lhes retirados. E grande parte destes cenários não chegam a ser percebidos por quem está confortavelmente em casa. 

Por causa dos especialistas em marketing político e media training, o agora reeleito presidente dos EUA, foi criticado por não ter tido um discurso à altura em alguns debates televisivos. Muitos pressentiam a sua derrota. Mas Obama, apesar do media training de que é alvo, manteve-se, até ver, fiel a si mesmo. E mostrou-o no contacto pessoal que manteve com a população. 

A melhor forma de decidir em que devemos votar, não é pelas imagens que vemos na televisão. Nada me move contra o marketing político, muito menos contra o media training e ainda menos contra a televisão. Sou jornalista. Mas move-me a Educação para os Media. Ou seja, todos devemos ter consciência que aquilo que as notícias e os media nos mostram, não é a realidade, mas sim fragmentos da mesma. Na altura de votar ou formar opinião sobre determinada pessoa, o melhor a fazer, é não avaliar quando os holofotes das câmaras e os flashes dos fotógrafos estiverem presentes. 

Haverá um dia em que políticos vão subir ao palanque sem folhas e telepontos escondidos. Haverá um dia em que políticos não terão receio de perder um debate televisivo. Haverá um dia em que os políticos não vão cumprimentar e ouvir as pessoas apenas na altura das eleições. E o media training continuará a existir. Mas, nessa altura, a Educação para os Media, já estará em marcha.

Marta Araújo

Seis motivos para encarar as crises com espírito positivo



Em termos históricos, o período que vai de 2008 (início da crise financeira) até ao presente é insignificante em termos de extensão temporal. No entanto, quem vive os anseios e problemas do dia a dia não consegue deixar de pensar que é “o fim do mundo”. Proponho uma visão mais positiva, relativizando precisamente a mescla de provações e aflições que a muitos atormenta. Pensemos no que é possível fazer hoje, amanhã e depois de amanhã para que o futuro a médio prazo seja mais brilhante.

Veja o que de positivo podem trazer as crises nas sociedades.

a) As transições podem ser dolorosas, mas levando-nos por vezes aos limites conduzem-nos, mesmo que inadvertidamente, a um grau de autoconhecimento recompensador para o próprio e para os que o rodeiam;

b) Os períodos difíceis levam a alguma depuração positiva do tecido económico, isto é, excluem quem não cria verdadeira riqueza e mais-valia para a sociedade;

c) As crises puxam pela imaginação para criar oceanos azuis, isto é, novas formas de abordar o mercado ou modelos de negócio disruptivos;

d) As provações tornam-nos mais pró-ativos e ginasticam a nossa resiliência. “Para ganhar o mesmo, eu agora sei que tenho de trabalhar mais”, dizia-me recentemente uma micro-empresária;

e) A responsabilização de quem nos governa aumenta porque os cidadãos são impelidos a reclamar direitos e protestar contra injustiças. As recentes manifestações em Portugal mostram que vale a pena a mobilização. A cidadania não tinha morrido, estava apenas adormecida.

f) As portas que se fecham para muitos levam à procura incessante sem fronteiras. O mundo é a nossa casa. O desemprego no país de origem de cada um é uma maleita social, mas as nossas capacidades e competências são puxadas ao limite quando é preciso olhar para um mercado sem fronteiras.

Esta reflexão termina com um apelo que muito tem a ver com a minha formação religiosa cristã, católica, característica pessoal que não tenho problema em afirmar numa sociedade onde a procura da realização pessoal é a prioridade. Ser ateu ou agnóstico não é um sacrilégio, não me interpretem mal A questão passa mais pela capacidade de desenvolver a nossa espiritualidade numa perspetiva menos fechada sobre nós próprios.

Basta ler um livro como o “UAUme!”, de João Catalão (não se trata de uma obra religiosa mas sim de motivação e coaching), para perceber que a procura da felicidade individual passa também pela gratuitidade (expressão frequente do autor) da nossa ação. Sermos capazes de procurar a realização pessoal ajudando terceiros é uma característica fundamental para viver em equilíbrio espiritual, nomeadamente numa altura em que a tendência é o enfoque na privação daquilo que é material.


O perigo de repetir em excesso um anúncio



Acho curioso como, por vezes, as marcas e respetivos responsáveis por planos de comunicação/publicidade não se deram ao trabalho de questionar velhos métodos de chegar ao consumidor. Refiro este aspecto porque nas últimas semanas reparei que a marca de pasta dos dentes Sensodyne anda a bombardear os telespectadores portugueses com uma médica dentista prescritora da marca. É uma "Dra." qualquer que fala obviamente bem do produto. Mas o problema não é esse. Num intervalo entre dois programas, cheguei a ver o mesmo spot umas quatro ou cinco vezes e, alguns dias mais tarde, o mesmo episódio ocorreu. Até imagino que seja diariamente que assim acontece, mas como não sou consumidor habitual dos canais generalistas poderei ter escapado a alguns bombardeamentos.

A questão chave é que esta estratégia cansa o telespectador, um potencial consumidor que prefere até fugir da marca porque lhe estão a "gritar" aos ouvidos para comprar aquele produto. Não gritam literalmente, mas a hiper-repetição tem esse efeito, é contraproducente para a marca. Causa mesmo uma redundância pelo efeito da ubiquidade do anúncio repetido. É como ter uma ex-namorado(a) ou ex-mulher(marido) que nos aparece em todo o lado, à porta de casa, do emprego e no restaurante. Torna-se chato e previsível. Cansa... Esta questão da redundância e hiper-repetição publicitária nem é propriamente nova. Veja-se este artigo do New York Times que já data de 2008: Ad Nauseam: Repetition of TV Spots Risks Driving Consumers Away.


E o que nós queremos para as marcas é causar entropia. Pode parecer que estou a dizer algo de peregrino e contra-corrente. O oposto de redundância é a entropia. A redundância resulta de uma previsibilidade elevada e a entropia de uma previsibilidade reduzida. Sim, a entropia é melhor em certo sentido.Ou seja, quanto maior é o número de mensagens possíveis, maior a quantidade de informação produzida no momento da escolha efectiva da mensagem. Se espalharmos diversos formatos de comunicação por diferentes suportes (brand placement, publicidade em mupis, TV, em imprensa selecionada, etc) menos cansamos o consumidor, chegando contudo até ele com uma diversidade e subtileza acrescidas. A intensidade da mensagem não se perde. Ganhamos é a simpatia do consumidor porque não aparecemos sempre no mesmo sítio e com a mesmo formato, pese embora a mensagem implícita ou explícita até possa ser a mesma, em nome de uma identidade  bem vincada da marca.

É claro que na perspetiva de alguns, a repetição de uma boa publicidade nunca cansa. Vejamos um exemplo sobre a Sensodyne, para provar que não digo só mal da marca em causa.







Descobrindo Madrid – Parte I: Estação de Atocha


A principal estação de comboios madrilena emana beleza. Por ali passam milhares de pessoas todos os dias, provenientes das 15 linhas suburbanas e regionais a que dá ligação, mas também da rede de metro da capital espanhola que passa por baixo de si. Ali cruzam-se visitantes de toda o género: estudantes a caminho da escola e da universidade, executivos “bem vestidos” em trânsito para reuniões de trabalho, turistas de mapa na mão à procura dos seus destinos e muitos madrilenos no diário trajeto entre a sua casa e o emprego. 

Ninguém fica indiferente à Estação de Atocha, uma estrutura de ferro e vidro inaugurada em 1851 por Alberto de Palacio, colaborador de Gustave Eiffel, o mentor das pontes D. Luiz I e Maria Pia, no Porto, e da mítica Torre Eiffel, em Paris. À primeira vista, é difícil acreditar que estamos numa estação de comboios. Mais parece um bem cuidado jardim botânico. Na verdade, o átrio desta estação, onde outrora ficava o terminal principal, foi transformado pelo arquiteto espanhol Rafael Moneo, na década de 80, num jardim tropical com mais de 500 espécies vegetais e animais, entre as quais se destacam as imponentes palmeiras. É um mini éden, onde a flora verdejante se alimenta da luz que brota pelos enormes vidros do edifício e está acompanhada das tradicionais lojas, restaurantes, cafés e até de uma pequena livraria ambulante onde se podem encontrar belos negócios literários. 

É um local surpreendente, para guardar na caixinha de recordações. Desperta sentimentos de admiração e não é por acaso que muitos transeuntes ali aproveitam para tirar fotografias, descansar e contemplar a natureza num dos bancos ou esplanadas envolventes. No entanto, este mesmo lugar está intimamente marcado pelo sofrimento. O dia 11 de Março de 2004 ficará para sempre na memória dos madrilenos, data em que esta estação foi palco de um trágico e cruel atentado terrorista que culminou na morte de 191 pessoas e em mais de 1.800 feridos, o maior atentado sofrido pela Espanha em toda a sua história (ver dossier elaborado pelo jornal El Mundo). 

A Estação de Atocha mudou. Os madrilenos sentem que está diferente. Agora todos os passageiros têm de colocar os seus pertences numa máquina de raio-x. A segurança é mais apertada. Tudo é alvo de atenção e suspeita. As feridas continuam a sarar lentamente. Mas da mesma forma que o jardim da estação continua a florescer, Madrid e os seus habitantes também se estão levantar deste abanão. No último piso do edifício, encontra-se agora um belo monumento de homenagem às vítimas do atentado. A sala escura, que pode ser visitada por toda a gente, possui um buraco no teto, iluminado pela luz solar (a mesma que alimenta as plantas do átrio), onde se podem ler mensagens e orações escritas em várias línguas, correspondentes às nacionalidades de todas vítimas do 11 de Março. 

Visitar Madrid ganha outra cor se contar com uma passagem por Atocha. Para lá da sua beleza natural, é um local de aprendizagem e reflexão. Mostra-nos através da história que o Homem é capaz do melhor, mas também do pior. Diz-nos que podemos e devemos apreciar a vida. E estando no centro da azáfama de uma capital europeia, revela-nos que o conforto pode muito bem estar nas coisas mais simples.


Um paraíso no meio da confusão.









Bruno Amorim

Sandy: cai chuva que não tem razão de ser


Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.
Fernando Pessoa

Imagens da destruição da tempestade Sandy


Pode uma banda mudar o mundo?

O sucesso e reconhecimento de uma banda podem ir muito além da música que esta produz. Os Linkin Park, banda de rock californiana com mais de 50 milhões de discos vendidos em todo o mundo, personificam um destes exemplos.

Ao longo dos anos e já com cinco álbuns no currículo, estes norte-americanos têm conquistado os fãs dentro e fora dos palcos, rentabilizando o grande êxito realizado na estreia, em 2000, com “Hybrid Theory”. E prova disso foi a recente nomeação para os prémios AMA (American Music Awards).

No entanto, para além da música, os Linkin Park estão intimamente ligados à filantropia, sendo umas das principais bandas mundiais que se dedicam à angariação de fundos para causas humanitárias. Em 2005, a banda decidiu criar o projeto “Music for Relief”, logo após o tsunami que devastou vários territórios no Oceano Índico. Esta iniciativa já serviu de suporte de apoio a diferentes situações, nomeadamente às vítimas do furacão Katrina e o terramoto no Haiti (veja aqui a música doada para apoiar o país). 

Defendendo a ideia de que a música pode mudar o mundo e de que eles próprios têm o dever de ajudar quem precisa, a banda já arrecadou perto de cinco milhões de dólares para apoios solidários, e noutra vertente, ajudou a plantar mais de um milhão de árvores no planeta. Outro dos seus projetos chama-se “Power the World”, sistema de angariação de fundos para combater a falta de eletricidade que afeta mais de 1,3 mil milhões de pessoas em todo o mundo.

Por agora, o “Power the World” já conseguiu reunir imensas assinaturas e providenciar energia sustentável para cerca de um milhão de pessoas, em especial no Uganda, onde a situação é muito precária. Esta diligência teve tal impacto que a banda californiana até foi convidada a participar, em Junho, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, realizada no Brasil.

Ainda recentemente, os músicos prestaram assistência aos necessitados após os estragos provocados pelo furacão Sandy no Haiti e nos Estados Unidos. A Fundação “Music for Relief” associou-se às organizações “Save the Children” nos EUA e à “International Medical Corps” no Haiti.

Mário P.A.

Bertrand Editora: Sua Santidade


O livro gerou polémica a nível internacional e tem agora a sua versão portuguesa, numa edição da Bertrand Editora. Em Sua Santidade - As Cartas Secretas de Bento XVI, o jornalista italiano Gianluigi Nuzzi revela mais de uma centena de cartas e documentos confidenciais enviados ao Papa Bento XVI, correspondência privada que lhe chegou às mãos através do mordomo Paolo Gabriele, recentemente condenado a 18 meses de prisão por divulgação de documentos secretos devido a este caso. O livro rapidamente ficou conhecido como o caso Vatileaks.

O Livro: "Isto nunca tinha acontecido, ninguém fora capaz, até agora, de entrar no escritório do Papa e ler os seus documentos privados, que revelam as fragilidades da Igreja católica enquanto instituição, entre conspirações e negócios obscuros. Graças a dados fornecidos por uma fonte secreta, as histórias, as personagens e os problemas que dividem a Igreja de hoje, envolvendo Itália e sua política, são expostos.

Doações privadas (incluindo as de Bruno Vespa), recomendações para Gianni Letta, o caso Ruby e Berlusconi, a verdade sobre os Legionários de Cristo, pedofilia, os excessos de muitos bispos de todo o mundo. Nuzzi une os fios dos casos que se leem como capítulos de um thriller. A exposição destes casos é, acima de tudo, para dar fôlego e coragem a todos aqueles que, dentro da Igreja, não reconhecem uma instituição que seja o rosto procurado por fiéis de todo o mundo."

O Autor: Gianluigi Nuzzi começou a escrever, aos 14 anos, para a revista Topolino. Trabalhou para vários jornais italianos e revistas, incluindo Espansione, Corrier Economia, L’Europeo, Gente Money, Corriere dela Sera, Il Giornale e Panorama. É um dos autores do programa de televisão L’Indifele e apresenta, desde novembro de 2011, o programa Gli Intoccabili, no canal LA7.

Título: Sua Santidade - As Cartas Secretas de Bento XVI
Editora: Bertrand Editora
Lançamento: Novembro / 2012
Género: Ensaio
N.º de Páginas: 376
Preço: 16,60 €

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O design é teu, dizem eles…


O que têm em comum a Cutty Sark, a Lotaria e a Bimby? Aparentemente muito pouco. Podemos sempre pensar que beber um copo de Cutty Sark – mas mesmo só um copinho porque nestas coisas do álcool não convém exagerar – pode servir de inspiração para comprar a cautela com o número certo de modo a que, com esse dinheiro, seja mais acessível adquirir uma Bimby… 

Mas a ligação destas três marcas, neste momento, não passa por aí. A questão prende-se com a ativação de concursos e as suas consequências. À partida, a ideia é interessante: fazendo jus à premissa do marketing de que os consumidores têm gosto em envergar o papel de prosumidores (consumidores+produtores) e assumir uma ação interventiva nas chancelas, convidar a comunidade a participar na elaboração de novos logos, imagens, embalagens e coisas que tal, pode ser uma boa jogada. Isto desde que as marcas não queiram ser mais papistas do que o Papa e não tenham como objetivo fins que, aos olhos dos tais prosumidores, sejam um abuso. 

A Cutty Sark tem a decorrer o concurso “O Mundo é nosso, o Design é teu”, destinado a estudantes de Design. O desafio passa por desenhar os rótulos, a cápsula, a Gift Box e fazer a maqueta de uma das suas garrafas destinada a uma edição exclusiva. O prémio é de 2000 euros. 

Tudo parece aliciante mas as críticas, que são várias, já se fazem sentir na página de Facebook da marca. Desde logo, para conseguir aceder ao regulamento do concurso, os interessados são obrigados a colocar “Gosto”na página de Facebook da marca, o que os leva a considerar que esta é uma estratégia encaputada para aumentar significativamente o número de fãs. Outro factor que está a merecer contestação relaciona-se com o regulamento do concurso, nomeadamente a alegada restrição a cursos de Design, bem como a pessoas matriculadas no ano letivo 2012-2013 e também porque o trabalho vencedor será o que tiver mais votos no Facebook, o que, na opinião dos críticos, descredibiliza a qualidade do trabalho. 

Vejamos agora um exemplo mais equilibrado, abrangente e inclusivo. O Departamento de Jogos da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa tem em marcha o concurso “Lotaria à Portuguesa”. Neste caso, a proposta passa por convidar todos os criativos nacionais – de diferentes áreas – que estejam interessados em demonstrar o seu talento, através da ilustração de uma cautela da Lotaria Clássica. 

Haverão 6 vencedores, cada um receberá mil euros mais cautelas – que, com muita sorte, poderão estar premiadas! – e existe um júri composto por vários elementos internos e externos à organização para avaliar as participações. As redes sociais não foram excluídas. Haverá, por isso, um prémio associado ao projeto que tiver maior número de votos nas redes sociais. No momento em que escrevo este texto, o sorteio conta com 253 participações. 

Críticas à parte e colocando de lado as estratégias de comunicação utilizadas, Cutty Sark e Santa Casa da Misericórdia, têm algo em comum: vão remunerar financeiramente os vencedores. Ou seja, não podem ser acusadas de querer trabalhar o marketing de proximidade e renovar a sua imagem à custa de borlas criativas. 

No entanto, esta questão dos custos, se for bem explicada e os destinatários perceberem que é em prol de uma causa, pode ser ultrapassada. Vejamos este exemplo: a Vorwerk, empresa que representa a Bimby, desafia designers e criativos a criarem um logotipo para a marca, mas desta feita inserido no tema “Bimby Solidária”

A nova imagem, que terá como júri membros da própria empresa Vorwerk, servirá para identificar a marca sempre que esta estiver ligada a uma causa de solidariedade social e irá constar de todos os documentos administrativos, materiais de divulgação, páginas web e outros suportes. 

O vencedor será premiado com uma Bimby. É justo ou injusto? Os prosumidores, até ver, mostram-se contentes. Na página de Facebook da marca, o post sobre esse assunto, tem 318 gostos. O preço do equipamento, relativamente elevado e principalmente na atual conjuntura, parece ser um ativo positivo para o sucesso da iniciativa. Ainda que com borlas.

Marta Araújo

domingo, 4 de novembro de 2012

Ultra propõe um guarda-roupa de apenas 10 peças



É inegável que os alterconsumidores representam uma dissidência face ao modelo frenético do sobreconsumo. São indivíduos que querem consumir de modo diferente, recusam-se a comprar para deitar fora, denunciam os excessos do packaging, mostram-se preocupados com o desenvolvimento  duradouro (…).
Gilles Lipovetsky

Numa sociedade de hiperconsumidores, é possível fazer a diferença na moda e encaixar num perfil de cliente com poder de compra, mas que não se deixa levar pelo mainstream da guerra das grandes marcas (red ocean), procurando antes espraiar-se num blue ocean que está mesmo ali ao lado.

Trata-se de uma coleção chamada Ultra 10. São 10 peças com uma capacidade de transfiguração tal que servem para encher o guarda-roupa de qualquer mulher moderna, sem perder o gosto requintado. O conceito vem da Malásia através da marca “We are Ultra". Ganhou o  Ethical Fashion Forum Innovation Award de 2011.  Já ouviu falar de um casaco 4 em 1? Vale a pena ver o vídeo.



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Jornal i faz publicidade inteligente



Uma forma inteligente de um órgão de comunicação social se posicionar através de uma comunicação bem pensada e executada. Trata-se do jornal i. Aproveitou a Moda Lisboa para uma iniciativa que não sendo 100% disruptiva (há experiências semelhantes) não deixa de ser rara.

"Se escreve como Hemingway e tem o estilo de um designer de moda, chegou a sua vez. Faça um artigo sobre a semana da Moda Lisboa e envie-o para lefashionwriter@ionline.pt. Porquê ser apenas mais um fashionista quando pode ser editor de um jornal?".

A subtileza do anúncio publicado na imprensa não é para um público transversal. Não é para qualquer um agarrar. Mas o objetivo não é esse. Acrescentam um elemento de codificação que só os públicos alvo é que alcançam: "Ernst * Yves" em círculos que se interpenetram em secante. Ernst Hemingway (Nobel da Literatura em 1954) * (sinal de multiplicação) Yves Saint Lorent (famoso designer de moda).


Advertising Agency: Y&R, Portugal
Executive Creative Directors: Pedro FerreiraJudite Mota
Art Director: Pedro Ferreira
Copywriter: Sofia Moutinho
Photographer: Sergio Rosário
Account manager: Sonia Felix
Published: October 2012