Entrevista com Pedro Barbosa, autor do livro "Harvard Trends 2013"

Docente universitário aponta alguns dos principais desafios atuais que as empresas têm de enfrentar ao nível da gestão e do marketing

O SIM é um espaço online de perspetivas, partilhas, entrevistas e informações inspiradoras

Este é um blogue da LivingBetweenMedia e move-nos a vontade de ver as coisas por um ângulo diferente!

Somos aquilo que lemos? É possível ganhar novas competências na leitura?

Saber escolher as fontes e interpretá-las corretamente é uma competência fundamental numa sociedade onde a informação é aparentemente excedentária

As redes sociais são um desafio para as empresas

Aprender a gerir a presença nas redes sociais é fundamental. A potência viral destas redes funciona para o bem e para o mal

Educar para os media é abrir o olho para o mundo real

No mundo global, um cidadão que saiba interpretar o papel dos media é mais competente em qualquer profissão. A LivingBetweenMedia partilha essa visão

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terça-feira, 4 de junho de 2013

Low-Cost.Come: O fermento de um negócio em expansão

O cenário económico em que vivemos abriu a porta a novos negócios. São os filhos da crise, que promovem ofertas mais acessíveis e permitem poupanças aos consumidores. Assim acontece com a Low-Cost.Come, marca de restauração de baixo custo que está a registar um crescimento galopante. O mentor do negócio esteve presente na Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão, a propósito das V Jornadas da Economia e da Empresa desta instituição de ensino.

Com uma pastelaria falida nas mãos, Paulo Costa, padeiro e empresário de Oliveira de Azeméis sentiu que tinha de mudar a estratégia. O estabelecimento estava em dificuldades e, se nada fizesse entretanto, dificilmente poderia manter os 15 funcionários. Estávamos em setembro de 2011 e foi aí que nasceu a Low-Cost.Come. Hoje conta com 38 trabalhadores.

A ideia não podia ser mais simples: vender pão mais barato. A juntar a isto, todo o negócio se focou num modelo de restauração de baixo custo, com maior simplicidade na oferta, menos acessórios e preços mais baixos. Os clientes gostaram do conceito, a loja começou a encher e a ser falada, sendo que o aparecimento nos media deu o empurrão certo para a marca.

“A exposição mediática foi um fermento fantástico. Até para uma televisão da Coreia do Sul falei! Poucas horas depois da primeira entrevista começaram a chover emails e telefonemas com pedidos de informação. Todas as notícias que saíram ajudaram a captar investidores interessados. E assim, uma pequena empresa de Oliveira de Azeméis, tornou-se uma marca nacional com presença em várias cidades”, contou Paulo Costa.

Com a implementação de uma rede de franchising, a Low-Cost.Come conta atualmente com 16 lojas a funcionar no país. E a expansão vai continuar. “Em breve, o número de franchisados irá aumentar para 35. As próximas aberturas serão em Benfica, no Funchal, em Setúbal e no centro de Lisboa”, revelou o empresário que se congratula por a sua marca “já ter gerado um volume de investimento em Portugal na ordem dos 7,5 milhões de euros”, valor que aumentará, dado que espera fechar mais 50 contratos nos próximos meses. 


Questionado sobre a importância do talento no êxito do seu negócio, o empresário não tem dúvidas. “Ou somos competentes ou não. Só estando felizes e trabalhando muito é que ficamos motivados para fazer as coisas acontecerem. Só desta forma nos vai ser possível chegar ao final do ano com uma faturação de um milhão de euros”, explicou.

Cada loja da marca produz perto de 6000 pães por dia. Por isso, a produtividade é uma exigência para Paulo Costa. “Para os nossos padeiros garantirem essa produção têm de ter talento, caso contrário será sinal ‘tá lento’ e não cumpre os objetivos”. 

Todos os promotores dos franchisados do Low-Cost.Come têm formação superior. “Mesmo que não sejam da área da padaria ou pastelaria, queremos que sejam pessoas licenciadas, com vontade de trabalhar e aprender”, diz. Cada franchisado tira ainda partido da central de compras que a marca possui, que garante preços mais baratos junto de fornecedores. “À medida que crescemos, criámos economia de escala e ganhámos poder negocial. E agora são as principais marcas que nos procuram para estarem incluídas na nossa oferta”, frisou Paulo Costa. 

Formado em Gestão Hoteleira, o empresário está em vias de arrancar com a internacionalização. “Temos recebido contactos e estamos a analisar as possibilidades. Para já, vamos iniciar o processo de registo da marca em países como Espanha, Angola e Moçambique”, referiu.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Google Portugal tem novo líder


José Antonio Martínez Aguilar é o novo líder da Google Portugal, substituindo assim Paulo Barreto no cargo. O espanhol que tem mais de 15 anos de experiência nos sectores de internet, móvel e media, e está na Google há sete anos (ver perfil). 

Licenciado em Engenharia de Telecomunicações pela Universidad Politécnica de Madrid e um MBA do Instituto de Empresa, José Antonio conduz a partir de agora as operações em Portugal, com o foco virado paras PME lusas. O novo líder pretende apostar no “desenvolvimento do negócio junto das empresas portuguesas, agências e anunciantes proporcionando às companhias, de todas as dimensões, aproveitarem todas as oportunidades da Internet para promoverem os seus produtos e serviços a nível local, nacional e internacional”, refere o comunicado da Google Portugal. 

José Antonio fez parte da equipa que iniciou o negócio em Espanha com responsabilidades nas áreas de negócio de Tecnologia, Media e de Telecomunicações. Trabalhou também na Google no Canadá onde lançou e geriu diferentes unidades de negócio, como Finanças e Turismo, e foi responsável pelo programa para pequenas e médias empresas. Em 2011, regressou aos escritórios da Google em Espanha para liderar a equipa de agências com foco no trabalho on-line e offline junto das agências de publicidade com vista ao desenvolvimento de estratégias de investimento nas plataformas Google. 

Antes, tinha sido cofundador e Vice-Presidente de produto, marketing e vendas da mCentric, uma empresa especializada em tecnologia e soluções móveis. José Aguilar iniciou a sua carreira na Airtel (Vodafone Spain), onde trabalhou como general manager da unidade de negócio de Internet e como diretor de desenvolvimento de produtos e serviços, tendo desenvolvido o primeiro serviço de dados móveis em Espanha.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Katalin ou a pequena estrela de cinema que viveu um sonho

O sonho (a vida ideal): Mari é o nome do protagonista de um filme premiado em Berlim e candidato a Óscar em 2012
O sono (a vida real): Katalin Toldi (Mari) no seu bairro cigano, na Hungria


Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Fernando Pessoa


Conheci Katalin há dias, num bairro húngaro de ciganos. As casas não têm água corrente e são de uma pobreza extrema. Mas Katalin tem uma consolação: ele é a estrela de cinema da comunidade cigana na Hungria. Há cerca de dois anos, o líder da comunidade cigana recebeu um telefonema de Bence Fliegauf, um realizador húngaro que precisava de um "ciganito" para um filme que iria ser produzido em Berlim por húngaros, alemães e franceses. A produção tornou-se um enorme sucesso. Chama-se Just the Wind. Não é um documentário, mas quase. Retrata o sofrimento dos ciganos húngaros, que representam 10% da população do país. O filme ganhou o Grande Prémio do Festival de Cinema de Berlim. É finalista do Lux Prize, do Parlamento Europeu, e é candidato ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, cujas nomeações serão conhecidas no dia 15 de janeiro próximo.

Katalin foi viver dois anos para Berlim, sem os pais. Deram-lhe cama, comida e roupa lavada, para além de alguns brinquedos. Dois anos de sonho, longe da miséria. Depois foi devolvido à sua comunidade cigana em Szolnok. O pai e o líder da comunidade dizem que o miúdo foi explorado. Os seus direitos não foram acautelados porque não tinha a companhia dos pais ou de qualquer adulto da sua comunidade. Chegaram a prometer-lhe um apartamento, sim isso mesmo: aquelas casas com quarto-de-banho, água corrente, cozinha a gás e aquecimento, algo que nós achamos vulgar. Veio sem nada na mão. Regressou apenas com os horizontes mais abertos e já vai à escola de boa-vontade, algo assinalável na comunidade cigana.

Antes de saber de toda a sua história, perguntei-lhe se tinha vindo rico da sua aventura em Berlim. Ele riu-se para o pai e abanou a cabeça. Pedimos para lhe tirar fotografias, mas a típica timidez de um miúdo simples não o fez aceder imediatamente. Dois anos não foram suficientes para ganhar tiques de estrela de cinema. Mas certamente ganhou a noção de como é possível viver melhor do que em sua casa. Ganhou a capacidade de sonhar. "As pessoas vivem felizes?", perguntámos ao líder da comunidade cigana. "We dream small", respondeu-nos, com a ajuda de uma tradutora do governo húngaro. "Sonhamos pequeno", é a tradução literal. Mas os olhos de Katalin não mentem. Ele ganhou a capacidade de "sonhar grande". Boa sorte, Katalin, na escola, na vida e nos Óscares de Hollywwod, a terra dos sonhos!