Entrevista com Pedro Barbosa, autor do livro "Harvard Trends 2013"

Docente universitário aponta alguns dos principais desafios atuais que as empresas têm de enfrentar ao nível da gestão e do marketing

O SIM é um espaço online de perspetivas, partilhas, entrevistas e informações inspiradoras

Este é um blogue da LivingBetweenMedia e move-nos a vontade de ver as coisas por um ângulo diferente!

Somos aquilo que lemos? É possível ganhar novas competências na leitura?

Saber escolher as fontes e interpretá-las corretamente é uma competência fundamental numa sociedade onde a informação é aparentemente excedentária

As redes sociais são um desafio para as empresas

Aprender a gerir a presença nas redes sociais é fundamental. A potência viral destas redes funciona para o bem e para o mal

Educar para os media é abrir o olho para o mundo real

No mundo global, um cidadão que saiba interpretar o papel dos media é mais competente em qualquer profissão. A LivingBetweenMedia partilha essa visão

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sábado, 19 de janeiro de 2013

Quando os jornalistas falham...

O trabalho de um jornalista está sujeito a erros. Ainda mais nos tempos de hoje. Com as redações cada vez mais pequenas, os órgãos de comunicação social têm lidar com a pressão do tempo para serem os primeiros a informar os seus leitores, ouvintes ou telespetadores. Sem tempo para confirmarem a veracidade de todas as fontes, este é muitas vezes um impeditivo de um trabalho de qualidade, com os jornalistas a ficarem mais sujeitos ao erro, rapidamente visível para um grande número de pessoas. 

Voltando a um assunto já referenciado no SIM, aqui e aqui, a “informação beta” é um paradigma da comunicação atual. As imprecisões e os erros acontecem a qualquer momento e as audiências são as primeiras a cobrar. Este fenómeno não é exclusivamente português e acontece um pouco por todo o mundo. Até mesmo nos países que identificámos como mais “desenvolvidos”. 

O exemplo em baixo ilustra bem o que acontece, quando as notícias falham por carecerem de uma maior confirmação. Nos EUA, uma televisão de Chicago, durante a emissão em direto do seu noticiário da manhã, decidiu colocar no ar imagens de última hora, não editadas, de um suposto acidente com um pequeno avião que se havia despenhado numa auto-estrada de elevado tráfego. 

Sem grandes informações sobre o assunto, os dois pivots levaram vários minutos a descrever a ocorrência, totalmente admirados com o que acabava de acontecer. O pior estava para vir quando, com algum embaraço à mistura, anunciaram que tinham sido finalmente informados de que, afinal, aquele era um cenário montado para as filmagens de uma série de televisão. Mais tarde, veio a saber-se que se tratava de uma mera gravação de imagens para a série “Chicago Fire”, que estreou esta temporada e retrata o quotidiano de um quartel de bombeiros. 



Tomar decisões em tempo recorde, assume riscos, tal como se viu. O fluxo de informação está em permanente atualização e a exposição ao erro torna-se uma fragilidade dos jornalistas. Falhas como a do vídeo, acabam por ser uma inevitabilidade em certas ocasiões.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Sabe quantas notícias passaram na TV em 2012?

Os telejornais emitidos pelos canais generalistas portugueses, embora diferentes nas opções editoriais, têm uma característica em comum: são espaços de longa duração. Os números vêm confirmar isso. Um estudo da Marktest revela que os serviços regulares de informação de RTP1, RTP2, SIC e TVI, em sinal aberto, emitiram cerca de 89 mil notícias durante 2012. Ao todo, foram mais de 2.835 horas de informação, o que corresponde a uma média, por canal, de 1 hora e 56 minutos de conteúdos diários. 

Entre janeiro e dezembro de 2012, contabilizaram-se 88.781 notícias nos programas Jornal da Tarde, TeleJornal e Portugal em Directo (RTP1), Jornal 2 (RTP2), Primeiro Jornal e Jornal da Noite (SIC), Jornal Nacional e Jornal da Uma (TVI). Em conjunto, estes espaços informativos exibiram perto de 250 notícias por dia. E tal como em anos anteriores, o número de notícias (4,6%) e o tempo de duração das mesmas (3,1%) aumentou em relação a 2011. 

A pergunta que se coloca é: são os portugueses que gostam de telejornais ou, por seu lado, as televisões é que impõem tamanha produção noticiosa? A resposta será híbrida. Hoje em dia, os telejornais transformaram-se num produto televisivo que, para além de informar, assume a função de entreter o telespetador e conquistar audiências. Não é por acaso que estes espaços antecedem os horários nobres e servem de âncora para segurar as pessoas para programas seguintes. 

Numa sociedade em que o tempo é escasso e a informação gira a toda a velocidade, a televisão surge como um meio fácil e barato para os cidadãos se manterem atualizados sobre o que se passa no país e no mundo. É o meio das massas. O formador de opinião, mesmo que apenas exiba um pequeno fragmento da realidade em cada notícia. 

Enquanto as vendas de jornais e revistas caem (e dificilmente voltarão aos valores de outros tempos), a rádio batalha pela sobrevivência e a internet vai aumentando o número de utilizadores, num contexto que está a alterar a estrutura do mercado publicitário, a televisão continua a concentrar a preferência dos portugueses. Os horários das 13h e das 20h são momentos sagrados, mas nem sempre cumprem o dever de informar. 

De que vale exibir imensas notícias, e o telespetador não ficar devidamente informado sobre as mesmas? Em média, cada peça televisiva teve duração inferior a dois minutos, tempo insuficiente para que se possa criar um conhecimento aprofundado sobre determinado assunto. E é com esta informação fragmentada que diariamente vivemos.

A análise da Marktest refere que a RTP1 foi o canal com maior quota em número de notícias (32%) e em duração (33%), o equivalente a 28.251 notícias e 931 horas de emissão. Na RTP2 passaram 7.285 notícias (8% do total) com uma duração total de 218 horas (8%). A SIC emitiu 25.639 peças (29%) de mais de 853 horas de duração (30%), tendo a TVI emitido 832 horas de informação regular (29%) repartidas por 27.251 matérias (31%). 

Noutra perspetiva, não deixa de ser curioso em Agosto, altura a que os jornalistas costumam apelidar de “silly season”, época do ano em que as notícias são quase inexistentes, tenha sido o mês de 2012 com maior nível de produção noticiosa na televisão portuguesa, com um total de 7.995 peças e mais de 251 horas de emissão. É o que vulgarmente se chama de “encher chouriços”. 

Mesmo que a notícia não exista, há grelhas de programação para preencher e notícias para repetir. Um telejornal longo é sempre melhor do que um breve noticiário. Voltam os mesmos assuntos de sempre, repetem-se as entrevistas do costume e aparecem os comentadores habituais a falar de temas menores. Por seu lado, o consumidor passivo, que é o telespetador, limita-se a receber o que lhe dão. Ou talvez não... O consumidor tem o poder de decidir e mudar de canal. Tal como já acontece nas redes sociais, sabe procurar a informação que lhe é mais útil e quer estar perto do seu processo de produção. Quem não perceber isto, um dia acabará surpreendido com as suas audiências.