Entrevista com Pedro Barbosa, autor do livro "Harvard Trends 2013"

Docente universitário aponta alguns dos principais desafios atuais que as empresas têm de enfrentar ao nível da gestão e do marketing

O SIM é um espaço online de perspetivas, partilhas, entrevistas e informações inspiradoras

Este é um blogue da LivingBetweenMedia e move-nos a vontade de ver as coisas por um ângulo diferente!

Somos aquilo que lemos? É possível ganhar novas competências na leitura?

Saber escolher as fontes e interpretá-las corretamente é uma competência fundamental numa sociedade onde a informação é aparentemente excedentária

As redes sociais são um desafio para as empresas

Aprender a gerir a presença nas redes sociais é fundamental. A potência viral destas redes funciona para o bem e para o mal

Educar para os media é abrir o olho para o mundo real

No mundo global, um cidadão que saiba interpretar o papel dos media é mais competente em qualquer profissão. A LivingBetweenMedia partilha essa visão

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sábado, 24 de novembro de 2012

No Danúbio, entre Buda e Peste

Tive a sorte de estar uns dias a conhecer Budapeste, capital da Hungria. Respira-se um ambiente cosmopolita que não se confunde com opulência. Os húngaros parecem constituir um povo sóbrio, orgulhoso, com uma classe média culta e profundamente embrenhada nas suas fortes tradições ligadas à música clássica. Apreciam arte e prova disso é uma excelente exposição de Cézanne que ainda decorre na capital, mais precisamente no Museum of Fine Arts.

Fiquei instalado em Buda e visitei com frequência o lado Peste, que ao contrário do que o nome possa indiciar é a margem mais interessante da cidade. É onde estão as ruas mais comerciais, os cafés e restaurantes mais peculiares, os museus, a câmara municipal e a Basílica de St. Stephen. Foi neste último monumento, de linhas arquiteturais neoclássicas e que só foi terminado em 1905, após mais de meio século de construção e percalços, que assisti a um dos mais belos concertos de música clássica protagonizado pelos alunos da  Liszt Academy.




Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. 
Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.
Bertolt Brecht
Perspetiva do Danúbio a partir da Ponte das Correntes. Buda do lado esquerdo e Peste do lado direito



O lado Peste do Danúbio na capital húngara. As margens só foram ligadas no século XIX

Széchenyi Lánchíd  (Ponte das Correntes) é uma ponte pênsil de 375 mts
de extensão e foi inaugurada em 1849


Basílica St. Stephen, em Budapeste



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Descobrindo Madrid – Parte II: Zoo Aquarium


Na segunda incursão por lugares especiais de Madrid, vamos falar do Zoo Aquarium. Em família, a dois ou entre amigos, este é o local ideal para quem pretende fugir, nem que seja por algumas horas, ao ritmo frenético de uma grande cidade europeia. Não faltam razões para explorar e desfrutar de uma estrutura que reúne zoológico, aquário, delfinário e aviário.

A história do Zoo de Madrid remonta a 1770. Foi nesse ano que o rei Carlos III fundou a “Casa de las Fieras”, que exibia animais capturados nas colónias americanas, embora também acolhesse exemplares europeus, africanos e asiáticos. Mais tarde, em 1972, o recinto reabriu na Casa de Campo, parque natural de 1800 hectares, o principal pulmão verde de Madrid. 

Projectada em 1560 por Filipe II, que também foi rei de Portugal, para ser uma zona de caça, a Casa de Campo tornou-se parque público em 1931. Aquele terreno é hoje é uma das maiores atrações madrilenas e inclui, além do zoológico, um parque de diversões, um lago artificial e o teleférico da cidade, cuja travessia permite uma privilegiada vista panorâmica para a cidade. 

Para quem preferir os transportes públicos e vier do centro da cidade, o metro e o autocarro são excelentes opções para visitar o Zoo Aquarium. As estações mais próximas ficam apenas a 10 minutos a pé. O teleférico também é uma possibilidade, mas só para apreciadores da natureza, pois o trajeto implica depois uma caminhada de 30 minutos até ao recinto. 

Logo à entrada do jardim zoológico, uma surpresa. Ao contrário do que acontece noutros espaços do género, onde não é permitido alimentar os animais, os visitantes têm a possibilidade de o fazer se comprarem no local a comida apropriada para a alimentação de algumas aves e ursos. 


A partir daqui, começa o périplo por uma vasta amostra de fauna e flora. São mais de 500 espécies e cerca de 6.000 animais. Mas antes, é preciso ter o cuidado de adquirir um mapa do parque para não nos perdermos no meio de tanta bicharada. É que o mapa não está incluído no preço do bilhete (22,25€) e custa 0,60€. 

Ultrapassada a questão anterior, a primeira impressão que salta à vista é a proximidade dos animais, sem que isso traga problemas de segurança. É uma agradável sensação, que tem um efeito hipnótico nas crianças, extremamente atentas a tudo. E os pais, de guia na mão, vão alimentando a curiosidade dos filhos.

Os habitantes do zoo estão distribuídos pelos continentes de origem. Não faltam leões, tigres, gorilas, girafas, águias, zebras, golfinhos, leões-marinhos ou tubarões, mas numa cidade que tem o urso como símbolo, esta espécie tinha de ser uma das apostas. Os pandas são as estrelas da companhia e têm multidões a observá-los. Mas também os ursos pardos, malaios, negros e tibetanos são protagonistas, divertindo o público que lhes atira comida. 




Estamos habituados a encontrar animais exóticos e selvagens num zoológico. Eles estão no Zoo Aquarium, mas partilham o espaço com espécies mais familiares, que poderíamos ver numa quinta, como galinhas, porcos, ovelhas, cabras, patos, burros e cavalos. A decisão faz todo o sentido e o conceito resulta. Nos grandes centros urbanos, muitas crianças e adultos nunca viram, ao vivo, alguns animais domésticos e ali até têm a possibilidade de lhes tocar. 

Neste parque existe um delfinário com capacidade para 3.000 pessoas, onde se fazem espetáculos com golfinhos e leões-marinhos. Poucos metros ao lado, encontra-se o Aquarium, um edifício com quase dois milhões de litros de água e 35 aquários onde se podem ver mais de 200 espécies marinhas. E há ainda o aviário, no qual está uma grande quantidade de aves exóticas e de rapina, que podem ser observadas em cativeiro ou sessões de voos livres.
O Zoo Aquarium de Madrid é um local para se apreciar com tempo. Exige horas para ser explorado de uma ponta a outra, mas revela-se, sem dúvida, um programa bem passado. Tão perto de uma vida cosmopolita intensa, onde abundam as atrações, este é um espaço bem tratado e agradável, em que a natureza se consegue tornar o centro de todas as atenções.


Zoo Aquarium de Madrid







quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Descobrindo Madrid – Parte I: Estação de Atocha


A principal estação de comboios madrilena emana beleza. Por ali passam milhares de pessoas todos os dias, provenientes das 15 linhas suburbanas e regionais a que dá ligação, mas também da rede de metro da capital espanhola que passa por baixo de si. Ali cruzam-se visitantes de toda o género: estudantes a caminho da escola e da universidade, executivos “bem vestidos” em trânsito para reuniões de trabalho, turistas de mapa na mão à procura dos seus destinos e muitos madrilenos no diário trajeto entre a sua casa e o emprego. 

Ninguém fica indiferente à Estação de Atocha, uma estrutura de ferro e vidro inaugurada em 1851 por Alberto de Palacio, colaborador de Gustave Eiffel, o mentor das pontes D. Luiz I e Maria Pia, no Porto, e da mítica Torre Eiffel, em Paris. À primeira vista, é difícil acreditar que estamos numa estação de comboios. Mais parece um bem cuidado jardim botânico. Na verdade, o átrio desta estação, onde outrora ficava o terminal principal, foi transformado pelo arquiteto espanhol Rafael Moneo, na década de 80, num jardim tropical com mais de 500 espécies vegetais e animais, entre as quais se destacam as imponentes palmeiras. É um mini éden, onde a flora verdejante se alimenta da luz que brota pelos enormes vidros do edifício e está acompanhada das tradicionais lojas, restaurantes, cafés e até de uma pequena livraria ambulante onde se podem encontrar belos negócios literários. 

É um local surpreendente, para guardar na caixinha de recordações. Desperta sentimentos de admiração e não é por acaso que muitos transeuntes ali aproveitam para tirar fotografias, descansar e contemplar a natureza num dos bancos ou esplanadas envolventes. No entanto, este mesmo lugar está intimamente marcado pelo sofrimento. O dia 11 de Março de 2004 ficará para sempre na memória dos madrilenos, data em que esta estação foi palco de um trágico e cruel atentado terrorista que culminou na morte de 191 pessoas e em mais de 1.800 feridos, o maior atentado sofrido pela Espanha em toda a sua história (ver dossier elaborado pelo jornal El Mundo). 

A Estação de Atocha mudou. Os madrilenos sentem que está diferente. Agora todos os passageiros têm de colocar os seus pertences numa máquina de raio-x. A segurança é mais apertada. Tudo é alvo de atenção e suspeita. As feridas continuam a sarar lentamente. Mas da mesma forma que o jardim da estação continua a florescer, Madrid e os seus habitantes também se estão levantar deste abanão. No último piso do edifício, encontra-se agora um belo monumento de homenagem às vítimas do atentado. A sala escura, que pode ser visitada por toda a gente, possui um buraco no teto, iluminado pela luz solar (a mesma que alimenta as plantas do átrio), onde se podem ler mensagens e orações escritas em várias línguas, correspondentes às nacionalidades de todas vítimas do 11 de Março. 

Visitar Madrid ganha outra cor se contar com uma passagem por Atocha. Para lá da sua beleza natural, é um local de aprendizagem e reflexão. Mostra-nos através da história que o Homem é capaz do melhor, mas também do pior. Diz-nos que podemos e devemos apreciar a vida. E estando no centro da azáfama de uma capital europeia, revela-nos que o conforto pode muito bem estar nas coisas mais simples.


Um paraíso no meio da confusão.









Bruno Amorim