Entrevista com Pedro Barbosa, autor do livro "Harvard Trends 2013"

Docente universitário aponta alguns dos principais desafios atuais que as empresas têm de enfrentar ao nível da gestão e do marketing

O SIM é um espaço online de perspetivas, partilhas, entrevistas e informações inspiradoras

Este é um blogue da LivingBetweenMedia e move-nos a vontade de ver as coisas por um ângulo diferente!

Somos aquilo que lemos? É possível ganhar novas competências na leitura?

Saber escolher as fontes e interpretá-las corretamente é uma competência fundamental numa sociedade onde a informação é aparentemente excedentária

As redes sociais são um desafio para as empresas

Aprender a gerir a presença nas redes sociais é fundamental. A potência viral destas redes funciona para o bem e para o mal

Educar para os media é abrir o olho para o mundo real

No mundo global, um cidadão que saiba interpretar o papel dos media é mais competente em qualquer profissão. A LivingBetweenMedia partilha essa visão

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segunda-feira, 3 de junho de 2013

“Uma equipa que veste a camisola faz milagres”


Perante uma plateia composta por empresários, estudantes e docentes universitários, bem como alguns fãs à mistura, o cantor Tony Carreira visitou no dia 31 de maio, sexta-feira, a Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão para falar sobre a importância da gestão do talento. Uma conversa, em formato de entrevista ao vivo, onde falou sobre a sua profissão e o atual estado do país.

Para o músico, o talento é importante mas é necessário trabalhar muito para ter êxito. “O talento é uma coisa que se sente, nos dá força e na qual temos de acreditar. Comecei a cantar aos 16 anos e o primeiro sucesso discográfico surgiu aos 30. Foi um período que me deu uma bagagem de resistência e saber muito importante”, explicou.

Fazendo “aquilo de que se gosta”, o talento pode ser exponenciado, mas há ainda outras caraterísticas para avaliar na área musical e nos 50 colaboradores que o rodeiam. Questionado sobre o que mais valoriza num colaborar salientou: “para mim, tem de se enquadrar duas vertentes: ser um bom executante de música e ter boa postura nas relações humanas. Sem isto, não se é bom profissional e só se prejudica o grupo”, salienta.

Tony Carreira, enquanto músico e empresário, assume a liderança de toda a estrutura que o acompanha e até analisa currículos de candidaturas que chegam à sua empresa. “Tenho as minhas ideias e faço as coisas como quero. Sou muito exigente com todos, da mesma forma que sou comigo. Sou amigo das pessoas, mas é preciso respeitar o trabalho que se faz. Ninguém faz nada sozinho e uma equipa que veste a camisola faz milagres”.

Ciente de que também é uma marca, que se vende por si mesma no mercado, o cantor não aprecia essa dimensão. “Sei que sou uma marca, mas é algo que me incomoda e não dá prazer. Admiro os marketeers e tenho tirado imensas lições com alguns, mas prefiro passar uma imagem correspondente à paixão com que faço a minha música. No entanto, com a longa carreira que tenho, posso dizer que sou mais uma marca do que um artista de marketing”.

E a exposição mediática, também traz responsabilidades. “Uma figura pública deve ser um exemplo para a sociedade e tem uma dívida de gratidão para com os fãs. Foram precisos 15 anos até eu ser visível. E quando isso acontece, a responsabilidade é muito maior". Tony Carreira dá mesmo um exemplo: Sou fumador mas evito fazê-lo em público. Há que sensibilizar para boas causas e não para maus hábitos”.

Sem talento e sem muito trabalho, nada feito. Tony Carreira entende que é disto que Portugal precisa. “Temos um país maravilhoso, com uma história fantástica. Há que aprender com os erros do passado e apostar em bons profissionais, políticos e gestores”. Além disso, há que valorizar o que é nosso. “Tendemos a apreciar mais o que vem de fora. Isso está errado. Falta-nos defender o que é português. Em Espanha, a filosofia é essa. E a saída desta crise económica também passa por consumir o que é nacional”.

Embora tenha sido emigrante no passado, Tony Carreira entende que esta não é a solução para os jovens portugueses. “Acho grave quando um político aconselha os seus próprios cidadãos a procurar trabalho fora do país. Emigrar é e será sempre um ato de desespero. Só se não existirem condições para trabalhar cá, é que as pessoas devem tomar essa opção”.

O cantou revelou ainda que, nos últimos tempos, tem recebido várias cartas dos fãs com pedidos de ajuda. “São testemunhos de desespero e casos dramáticos. Procuro responder a todos e sensibilizar a sociedade a ser mais solidária. Aprecio muito aqueles que fazem voluntariado e profissões como os bombeiros que deviam ser pagas. O Estado devia estar mais presente para ajudar as pessoas”, concluiu.


6 Perguntas Rápidas 

Dá conselhos aos seus filhos sobre a carreira deles? Nunca. Só se eles me pedirem. Tenho ideias para a minha carreira e não quero que sejam uma imitação de mim. Já existem outros assim. Prefiro que criem a sua própria personalidade. 

Se não fosse a música, qual seria a profissão de sonho? Tenho uma grande paixão pelo futebol. A sensação de jogar em grandes competições e marcar um golo deve ser extraordinária. 

Quem gostaria de entrevistar um dia? José Sócrates ou Miguel Relvas. 

Que concerto não teve oportunidade de assistir? Gostava de ver um concerto ao vivo do Carlos Santana. Comecei a ouvi-lo com 14 anos e ainda gostava de o ver em palco. 

Já teve propostas para participar em cinema? Sim, mas nunca aceitei porque sou um mau ator. Só me arrependi uma vez, porque era uma grande produção. Também já me convidaram para um filme autobiográfico, mas ainda sou muito novo para isso. 

E convites para a política? Já tive, mas não me meto nisso. Sou um profissional de música e estou disponível para cantar onde me contratarem, qualquer que seja o partido. Mas não me verão a dar a cara por um político. Não me acredito nesta classe.



sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Celebridades musicais, campanhas e eleições

As eleições presidenciais dos Estados Unidos não se decidem apenas por uma questão de ideologia ou promessas de mudança e prosperidade. Uma parte do eleitorado deixa-se influenciar mais rapidamente pelo apoio público que personalidades famosas da televisão, desporto, cinema e música, entre outras áreas, dão a algum dos candidatos. 

O “star system” está sempre presente nestes momentos. É uma arma jogada por ambos os candidatos, sejam eles democratas ou republicanos. As campanhas são, em grande parte, financiadas pelos milhões do sector privado, sobretudo de grandes empresas, e ganham assim o capital necessário para poder montar uma fonte de entretenimento muito eficaz na caça ao voto. 

A lógica é simples. A população norte-americana gosta de se inspirar nos seus ídolos e se estes apoiam Barack Obama ou Mitt Romney, uma boa parte dos seus fãs, acabará por fazer o mesmo. O investimento em ícones famosos é sempre muito forte e são vários os artistas musicais que surgem a dar o seu apoio aos candidatos. 

Por exemplo, o cantor Bruce Springsteen, conhecido por “The Boss” e pelo seu amor ao país, tornou público o apoio a Barack Obama. Para tal, compôs uma música para o seu candidato preferido, cuja letra incluía o seguinte trecho: “Normalmente a esta hora ainda estou de pijama / Bem, vamos lá votar no homem que apanhou o Osama”. 

E muitas outras celebridades musicais deram a cara por Obama. As mais mediáticas foram Madonna, Beyoncé, Jay-Z, Lady Gaga, Kate Perry, Mick Jagger, Stevie Wonder, Justin Timberlake, Kanye West, Pearl Jam e Red Hot Chili Peppers, entre outros. Uma forma de piscar o olho às diferentes gerações e aos públicos com diferentes gostos musicais. 

Mitt Romney também contou com alguns apoiantes musicais do seu lado. O hino da campanha, intitulado “Born Free” foi composto pelo músico Kid Rock (ver vídeo aqui). Por seu lado, nomes como Lindsay Lohan, Ted Nugent (Megadeath) e Gene Simmons (baixista dos Kiss) deram-lhe o seu apoio, assim como alguns nomes menos conhecidos na Europa da música “country”.

Com o avanço das tecnologias, os vídeos e as músicas de famosos espalhados pela Internet fazem parte das estratégias de marketing político. As personalidades famosas, por via da sua imagem e discurso, servem o propósito de angariar votos. Obama venceu por uma diferença apertada, mas entre as celebridades musicais, a sua vitória teve uma margem bem mais larga.

Mário P. A.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pode uma banda mudar o mundo?

O sucesso e reconhecimento de uma banda podem ir muito além da música que esta produz. Os Linkin Park, banda de rock californiana com mais de 50 milhões de discos vendidos em todo o mundo, personificam um destes exemplos.

Ao longo dos anos e já com cinco álbuns no currículo, estes norte-americanos têm conquistado os fãs dentro e fora dos palcos, rentabilizando o grande êxito realizado na estreia, em 2000, com “Hybrid Theory”. E prova disso foi a recente nomeação para os prémios AMA (American Music Awards).

No entanto, para além da música, os Linkin Park estão intimamente ligados à filantropia, sendo umas das principais bandas mundiais que se dedicam à angariação de fundos para causas humanitárias. Em 2005, a banda decidiu criar o projeto “Music for Relief”, logo após o tsunami que devastou vários territórios no Oceano Índico. Esta iniciativa já serviu de suporte de apoio a diferentes situações, nomeadamente às vítimas do furacão Katrina e o terramoto no Haiti (veja aqui a música doada para apoiar o país). 

Defendendo a ideia de que a música pode mudar o mundo e de que eles próprios têm o dever de ajudar quem precisa, a banda já arrecadou perto de cinco milhões de dólares para apoios solidários, e noutra vertente, ajudou a plantar mais de um milhão de árvores no planeta. Outro dos seus projetos chama-se “Power the World”, sistema de angariação de fundos para combater a falta de eletricidade que afeta mais de 1,3 mil milhões de pessoas em todo o mundo.

Por agora, o “Power the World” já conseguiu reunir imensas assinaturas e providenciar energia sustentável para cerca de um milhão de pessoas, em especial no Uganda, onde a situação é muito precária. Esta diligência teve tal impacto que a banda californiana até foi convidada a participar, em Junho, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, realizada no Brasil.

Ainda recentemente, os músicos prestaram assistência aos necessitados após os estragos provocados pelo furacão Sandy no Haiti e nos Estados Unidos. A Fundação “Music for Relief” associou-se às organizações “Save the Children” nos EUA e à “International Medical Corps” no Haiti.

Mário P.A.